Cinema, Crítica de Filme

| Amado | Crítica

Amado dá a sensação ao espectador que será apenas mais um filme policial brasileiro, mas tem uma história simples e real que preenche a tela. Confira a crítica completa

O cinema nacional produz filmes com temática policial com facilidade, com o diferencial de cada um trazer um elemento que não havia sido abordado. Temos Tropa de Elite (2007 e 2010) que traz a narrativa das milícias e Alemão 2 (2022) que mostra outro lado da violência, e ainda Doutrinador (2018) que trouxe um lado de super herói para a polícia. Amado faz o mesmo, destes longas citados, traz uma história de um policial simples que não se corrompe, que apenas tenta ser a diferença na sociedade em Ceilândia (DF).

Esse ‘pé no chão’ também dá espaço para a história proposta por Edu Felistoque e Erik de Castro que traz os personagens secundários para próximo do protagonista, e as subtramas a partir de suas relações com Amado. E por ser um filme que preza pela construção do que cenas de tiros, já é um acerto. 

Sérgio Menezes impressiona com seu protagonista, ele consegue trazer as camadas para uma história real, conseguimos perceber todos os lados de Amado, seja como policial, namorado e colega de trabalho. Em alguns momentos temos uma transição simples, mas são nas nuances que percebemos sua interpretação e a força da história. 

A construção do arco do personagem até pode parecer lenta, mas tudo que ocorre na tela é necessário, como se fosse um acumulado de informações que fizeram Amado ser o que é. Temos o tempo necessário para tudo que ocorre, mesmo com um tempo de tela diferente para cada personagem secundário. O longa tem um começo, meio e fim centrado, algo raro neste gênero, por mais que haja pontas para novas produções. Amado tem sua história contada aqui.

A boa história se perde em alguns momentos na ação, pela montagem da cena em si. Tentaram dar uma aura superpoderosa para Amado, porém algumas realizações não são práticas ou, no mínimo, estranhas. Mesmo ele sendo um bom policial, algumas atitudes ou reações fogem da curva proposta pelos atos.

Trazer o lado humano aos poucos, é algo que o roteiro traz com uma atmosfera que lembra os filmes dos anos 80, seja pela falas que mais parecem frases de efeito, as encaradas entre os personagens, além da vilania marcada por trejeitos. Não que isso seja um problema, mas há referências no que vemos.

A estética do filme foge do universo comum deste tipo de filme no Brasil, por não ser sobre uma comunidade no Rio de Janeiro, temos um recorte policial diferente, mesmo tendo um traficante dominando a área. Ela é tão diferente em alguns sentidos que traz até algum frescor, já que não temos que ouvir sobre descer e subir morros.

Como a ação tem problemas, não preocupa tanto o fato dela aparecer pouco. Para nossa sorte, a história sabe entreter e deixar o espectador na história. Faltou este elemento em uma história como a de Amado, entendemos sua persona, mas pouco de suas habilidades. 

Amado mostra novamente alguns motivos da produção brasileira gostar deste tipo de filme, já que há muito a ser explorado no mundo policial. E como temos uma narrativa que conta uma boa história, com uma outra abordagem, nem percebemos que outro longa sobre o gênero foi lançado. 

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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